A Honra do Suicídio
O filósofo norte-americano contemporâneo Ronald Dworkin escreveu:
A morte domina porque não é apenas o começo do nada, mas o fim de tudo, e o modo como pensamos e falamos sobre a morte — a ênfase que colocamos no “morrer com dignidade” — mostra como é importante que a vida termine apropriadamente, que a morte seja um reflexo do modo como desejamos ter vivido.
Afinal, o suicídio é fruto de uma opção. Por mais impulsivo que seja o ato e por mais confusos que sejam os motivos, no momento em que uma pessoa finalmente decide pôr fim à própria vida, atinge uma certa clareza temporária. O suicídio pode ser uma espécie de declaração de falência que condena a vida da pessoa como uma longa história de fracassos. Mas é uma história que desemboca pelo menos nessa decisão que, por seu próprio caráter irrevogável, não pode ser vista como um fracasso total. Acredito que exista toda uma classe de suicidas que põem fim à própria vida não para morrer, mas para escapar de uma confusão interna, para aclarar suas mentes. São pessoas que usam deliberadamente o suicídio para criar uma realidade descomplicada para si mesmas ou para transpor os padrões de obsessão e necessidade que elas próprias inadvertidamente impuseram a suas vidas.
Comentários
Postar um comentário