Quando a vida passa

   
 Neste rio sem margens onde todos mergulhamos, pese embora nem todos nos lavamos, alguns afogam-se por não saber nadar e outros são brutalmente arrastados por não respeitar o seu fluir. Ele traz e leva, dá e tira, e cada vez mais bravo fica à medida que nos tornamos antigos navegantes nele. Ele deixa em nós máculas que muitas vezes só ele mesmo remove, e noutras permanecem para sempre. Temporais e glaucas ondas põem-nos a prova sem antes porem-nos a estudar as técnicas de navegação, muitos de nossos companheiros mudam de rota e outros ficam pelo caminho, às vezes, não por não saber navegar, mas porque em algum momento temos todos de ficar. E quando ficamos acabou-se! Quando se esgota o nosso tempo, esgota-se tudo! É dito popularmente que tempo é dinheiro, mas não! O tempo é muito mais do que isto, tem muito mais valor do que qualquer nota, moeda, ou números associados à uma conta bancária. O tempo é vida! O que é o viver se não um passar tempo? A qualidade de nossas vidas – deixa-me esclarecer que não me refiro à conforto proporcionado por bens materiais – é directamente proporcional à qualidade do uso que fazemos do nosso tempo, melhor vivem aqueles que adquirem sabedoria bebendo das experiências que fluem neste rio. O tempo não é leve para ninguém, ele é rigidamente implacável, severamente exigente e nem sequer espera estarmos prontos para as exigências que ele traz, mas se nos anteciparmos na prontificação, se nos abrirmos para aprender com as lições que fluem nele, poderemos provar como é, realmente, doce a água deste rio.

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